REFLEXÕES

Oswaldo Faustino é nosso colaborador literário!
"Quem não se vê não se reconhece. Quem não se reconhece não se identifica, não se ama, tem baixa auto-estima e se desinteressa tanto por si quanto pelo outro, e ainda querem impor-lhe conceitos de cidadania.."  - Esta é a abertura de sua palestra cujo título é "Reflexões diante de um espelho sem reflexo".
Em 2017, o Projeto Hafrochic Cultural estará promovendo o "Encontro com o Escritor Oswaldo Faustino", em escolas e centros culturais divulgando sua obra. (Contato:16-981555668)
Jornalista, escritor, palestrante e contador de histórias de imensurável valor, Oswaldo Faustino escreveu os livros  "Nei Lopes - Retrato do Brasil Negro", "A Legião Negra", ambos pela Selo Negro Edições, e o mais recente lançamento " A luz de Luiz" ( Editora Córrego) que retrata a vida do jornalista e abolicionista Luiz da Gama, fontes ricas em conhecimento e cultura pelas mãos deste admirável griô brasileiro!
Conheça também suas obras infantis: " Iori descobre o sol, o sol descobre Iori", pela Editora Melhoramentos
A Coleção "Aventuras de Luana", em parceria com Aroldo Macedo, pela Editora FTD

Quer conversar com o escritor?
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Obrigada Professor Oswaldo! 
Sua presença fortalece o ideal do blog.Hafrochic em divulgar auto-estima por todas as vertentes da africanidade!
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Dona Rutinha! Exemplo de Solidariedade!

O mês de outubro está todo cor de rosa, o que já se tornou uma tradição, desde que se decidiu consagrá-lo às iniciativas voltadas à saúde feminina. E, se vamos falar de saúde e de mulher, vale aqui refletir um pouquinho sobre uma mulher negra cuja vida é dedicada plenamente à saúde e à solidariedade. Trata-se da maranhense de Pindaré Mirim, a técnica en enfermagem Rute Costa Sobrinha, conhecida, na capital paulista, pela alcunha carinhosa da Dona Rutinha. Fundadora e presidente da Associação Beneficente e Cultural da Comunidade do Hospital das Clínicas de São Paulo, Dona Rutinha conta que, há quase 50 anos, veio do Maranhão, num pau-de-arara, juntamente com o pai e seis irmãos. Começou a trabalhar no HC da USP, na década de 70, e sempre se condoeu ante a situação de pessoas internadas, carentes de condições financeiras, em especial as mulheres, pois naquela época a questão de gênero era pouco contemplada pelas metas daquele hospital-escola modelo. Dona Rutinha se manteve solteira para poder se dedicar integralmente às atividades profissionais e assistenciais. Em 1995, quando juntamente com um grupo de trabalho fundou a Associação, teve de brigar muito para convencer o superintendente do HC de que tinham o direito de mencionar o hospital no nome da entidade. A luta foi árdua, mas hoje aquela entidade - que arrecada doações para pacientes de baixa renda, em tratamento, especialmente transplantados e os submetidos a sessões de quimioterapia - é o orgulho não só do hospital, mas da cidade de São Paulo, o que levou a Câmara Municipal a conceder a Dona Rutinha, em 2013, o título de cidadã paulistana. Seu 1,5 metro de altura está muito longe do gigantismo dessa mulher, sempre discreta e pronta a garantir, sem nenhum alarde, a dignidade, a vontade de viver e a elevação da autoestima de pessoas que, muitas vezes, já perderam a esperança na medicina e na humanidade. ( OSWALDO FAUSTINO)

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Vida é muito mais que um conto de fadas. Há casos, porém, em que ambos se confundem, como ocorreu com a paulistana Eliane Cavalleiro, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP), e o ator norte-americano, Danny Glover, famoso por sua participação em blockbusters, como Máquina Mortífera, Predador, A Cor Púrpura e mais de 80 outras produções cinematográficas. Ambos ativistas de questões sociais e raciais, eles se conheceram no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, tornaram-se amigos, trocaram e-mails, telefonemas, por alguns meses, e se casaram, em São Francisco, onde vivem. Os 22 anos que os separam, na idade, não fazem a menor diferença, afirmam: “Além do amor que nos une, há as causas humanitárias em que nos envolvemos juntos em vários pontos do planeta”. A origem humilde de Eliane, no bairro de Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, não foi impedimento para ela se empenhar nos estudos, em escolas públicas, graduar-se e realizar seu mestrado na USP, que resultou numa obra fundamental quem quer se dedicar à Educação: Do Silêncio do Lar ao Silêncio Escolar, sobre a constatação de atitudes racistas até mesmo na educação infantil. O doutorado foi na mesma área, analisando três gerações de algumas famílias negras para entender que mudanças ocorrem e o que permanece, com relação às questões raciais. Daí surge mais um livro importante: Veredas de uma noite sem fim. Nascido em São Francisco, na Califórnia, Danny Glover também teve de lutar muito para conquistar seu espaço em Hollywood e manter seu espírito militante, mesmo após as conquistas das lutas pelos Direitos Civis, advindas desde muito antes dos tempos do reverendo Martin Luther King e do islâmico Malcoln X. Por isso, boa parte dos milhões de dólares ganhos com os filmes hollywoodianos é empregado na produtora independente Louveture, em que é sócio-fundador e que realiza coproduções em filmes com temas humanitários em vários países do considerado Terceiro Mundo. O nome da produtora é em homenagem ao líder da revolução do Haiti, Toussaint Louverture. Seus ídolos são dois grandes ativistas negros: Nelson Mandela e Harry Belafonte. Glover diz admirar filmes brasileiros como Central do Brasil e Macunaíma e participou de Ensaio sobre a Cegueira (em inglês Blindness) dirigido por Fernando Meirelles. Gosta de comida baiana e enfatizou ao ser entrevistado por uma revista: “O que, principalmente, me encanta no Brasil são as pessoas”. Beleza, jovialidade, inteligência e elegância à parte, o que o fascina em Eliane é a harmonia como se relaciona com os próprios filhos, Juan e Ramon, frutos de seu primeiro casamento. Ela veio a São Paulo, em final de agosto, para participar do momento político dramático, que vivemos, mas logo retorna a São Francisco.
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Com um olho só pode-se enxergar muito mais?
 Foi com um disparo acidental de uma espingarda de chumbinho, de um de seus sete irmãos, que a caçulinha de 8 anos, Alice Malsenior Walker perdeu a vista direita, em 1952, no Condado de Putnam na Geórgia, estado sulista dos EUA. Isso não a impediu de ter uma visão super apurada da realidade à sua volta: tinha um pai que administrava mal a fazenda de gado leiteiro, onde viviam, e uma mãe que era obrigada a trabalhar arduamente de empregada doméstica. Foi trabalhando durante 11 horas por dia, que a mãe a ajudou a pagar a faculdade. Alice Walker conta que a perda parcial da visão a ajudou a "realmente ver as pessoas e as coisas, a perceber relações e aprender a ser mais paciente." Foi assim que, as histórias contadas em família sobre seu avô, se tornaram a principal inspiração para seu quinto romance, The Color Purple (A Cor Púrpura), publicado em 1982, contemplado com o Prêmio Pulitzer de Ficção. Essa obra, que originou o filme homônimo dirigido por Steven Spielberg, protagonizado por Whoopi Goldberg, baseou-se, segundo ela, em suas anotações, desde os oito anos. Com ela, denuncia não só a opressão racista, mas também a machista, praticada por muitos homens negros. Na década de 1960, Walker estudou em Atlanta, onde conheceu o reverendo Martin Luther King Jr., e depois mudou-se para Nova York, para completar estudos. Nesse período, começou a participar dos movimentos de luta pelos direitos civis dos afro-americanos e do feminista. Em 1963, lá estava ela, entre as mais de 250 mil pessoas, na Marcha sobre Washington por Trabalho e Liberdade, liderada por King. Após universidade, retornou ao Sul, no estado do Mississipi, onde se fortaleceu ainda mais seu ativismo. Às vésperas da guerra contra o Iraque, Alice participou de uma manifestação com cerca de 5 mil mulheres. Foi detida pela polícia e, ao ser liberada, afirmou numa entrevista: "Eu estava com outras mulheres que acreditam que as mulheres e crianças do Iraque são tão queridas quanto as mulheres e as crianças de nossas famílias e que, na verdade, somos uma família. E por isso tenho para mim que estávamos indo para bombardear realmente a nós mesmos." Quando, em 2008, Obama foi eleito presidente, ela publicou uma carta aberta em que dizia: “Ver você tomar o seu lugar de direito, com base apenas na sua sabedoria, força e caráter, é um bálsamo para os cansados guerreiros da esperança." Autora de vários romances, obras de não-ficção e poemas, Alice Walker me ajuda a sentir ainda mais orgulho de ser negro. Ela pode ser melhor conhecida através de seu website oficial: http://alicewalkersgarden.com ( Oswaldo Faustino)
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Reflexões por Oswaldo Faustino - 08/08/2016

Você conhece a história da primeira mulher eleita deputada estadual, em 1934, em Santa Catarina, estado de características exclusivamente europeias? Trata-se de ANTONIETA DE BARROS, nascida em 1901 e falecida em 1952. Uma mulher negra, dedicada integralmente à Educação para todos, à valorização da negritude e à emancipação feminina. Além de professora, diretora escolar e deputada, ela foi jornalista. Criou um jornal e dirigiu uma revista. Lançou o livro "Farrapos de idéias", com o pseudônimo de Maria da Ilha. Os aplicativos de pesquisa da internet trazem quase 500 mil referências a Antonieta de Barros, que hoje denomina o auditório da Assembléia Legislativa, em Florianópolis, uma rua, um túnel, uma comenda, um prêmio nacional para jovens comunicadores negros, um memorial e, no final do ano passado, teve sua vida retratada em um documentário. Santa Catarina a considera uma das mais importantes personalidades de sua história. Catarina, sua mãe, uma ex-escravizada e analfabeta, ficou viúva quando as filhas - Antonieta e Leonor - eram bem pequenas. Trabalhando de lavadeira, por anos sem fim, na casa de um político, cujo pai, Nereu Ramos, foi temporariamente Presidente da República, sustentou e educou as meninas até que terminassem o antigo Curso Normal, formando-se professoras.Quantas empregadas domésticas, faxineiras, cozinheiras, lavadeiras que, com seu trabalho vilipendiado, ajudaram e ajudam seus filhos e filhas a se doutorarem e que jamais receberão reconhecimento! (Oswaldo Faustino)
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Reflexões por Oswaldo Faustino - 11/07/2016

Imagina o amor daquele músico negro, de 74 anos, que toda tarde, no horário de visita de um hospital do Rio de Janeiro, chegava vestido de terno e gravata para visitar sua amada Beti, que ali se encontrava internada. Trazia-lhe sempre um botão de rosa. Não falhou uma tarde sequer. Seu nome Alfredo da Rocha Vianna Filho, mas todos os conheciam por Pixinguinha. Um dia, porém, ele também foi internado no mesmo hospital por problemas cardíacos. Chamou o único filho e disse: "Sua mãe se preocupa demais com minha saúde. Se eu não aparecer, ela vai piorar. Vá em casa, traz meu terno, camisa, gravata e um botão de rosa!". O filho obedeceu. Diariamente, na hora da visita, o filho o vestia e o amparava até a porta e, com a rosa na mão, cumpria a missão. Beti morreu sem saber que o marido também estava internado a poucos metros de seu quarto. Entendeu o porquê de todos o chamarem de São Pixinguinha?      (Oswaldo Faustino)
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